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Criança e tecnologia: É preciso ter cautela

Por Breno Rosostolato e Aline Maciel Richetto*

Crianças nascidas a partir de 2010, recentemente, passaram a ser denominadas “geração alfa”, por se distinguirem das gerações anteriores, pois já nasceram em mundo conectado.

Às vezes, temos a sensação que os “alfas” são superdotados por conta da rapidez e naturalidade que têm ao utilizar smartphones, tablets e afins. Esta nova geração é formada por crianças que já nasceram imersas nas novas tecnologias e demonstram ser mais inteligentes do que aquelas das gerações anteriores.

Uma geração que chegou causando transformações sociais intensas. Reformularam as famílias diminuindo as hierarquias e a autoridade dos pais, ditam questões relativas à moda, linguagem, mercado de trabalho e, inclusive, o ensino nas escolas. Geração que, indubitavelmente, preza pela diversidade e espontaneidade.

Cada vez mais fascinados por uma avalanche de aplicativos repletos de estímulos sonoros e visuais, com personagens coloridos e atraentes, adultos e crianças ficam encantados com as múltiplas possibilidades oferecidas. Alguns acreditam que tais estímulos possam contribuir, de modo positivo, na formação, não só das crianças, como para toda a família, desenvolvendo filhos mais inteligentes.

O anseio de consumir tecnologia, desenfreadamente, mesmo para o público infantil, é tão grande que, recentemente, foi lançada nos Estados Unidos a IBounce, uma cadeirinha para bebês desenvolvida pelo fabricante de brinquedos Fisher-Price. A cadeira com IPad já vem com apoio para o gadget e possibilita que crianças muito pequenas “interajam” com jogos, filmes e vídeos.

Para muitos pode parecer um grande avanço tecnológico, ou até mesmo um conforto e alívio para aqueles pais mais atarefados, uma vez que com a tal cadeirinha as crianças aprendem e se “distraem” sozinhas.

Acreditamos que a tecnologia pode, realmente, ser bastante benéfica para o crescimento e desenvolvimento infantil saudáveis, mas, por outro lado, é importante que os pais façam a inserção da criança , de forma gradativa, nesse universo e ponderem o tempo que os filhos ficarão conectados.

Pais, não se esqueçam: nada substitui o contato físico, o afeto e o vínculo que só o relacionamento humano proporciona ao desenvolvimento e inteligência. Abraços, aconchegos, carinhos, proximidade física, atenção jamais poderão ser compensados pelo último modelo de smartphone e/ou o joguinho do momento.

A tecnologia é útil, importante e necessária nos dias de hoje, mas deve ser usada com cautela e sempre com a supervisão de um adulto orientando a criança.

Nada de deixar filhos conectados sozinhos acreditando que o uso da tecnologia poderá estimulá-los enquanto realizam outras atividades ou até mesmo “descansam” um pouquinho. Vale lembrar que a educação é responsabilidade que cabe aos pais. Todo o resto – a tecnologia, o computador, e aí, a escola se inclui – vai favorecer aptidões, coordenação motora e o desenvolvimento cognitivo da criança. Por mais que os tempos mudem, pais responsáveis sempre deverão participar e ser referência aos seus filhos.

Não existe receita pronta que nos ensine o tempo que crianças devam ficar conectadas por dia; portanto o que vale mesmo é o bom senso. Lembrem-se, equipamentos eletrônicos, se utilizados em excesso, prejudicam a interação social, podendo interferir na formação da identidade da criança, além de desestimular o desenvolvimento motor.

Vamos usar a tecnologia sim, mas com parcimônia. Abracem, toquem, cantem, dancem, brinquem com suas crianças. Isso sim pode estimular o desenvolvimento sadio, fortalecer o vínculo familiar e, certamente, ficará eternizado na memória da criança.

A participação responsável dos pais é crucial para o desenvolvimento das capacidades no filho, do mesmo modo que o exagero, excessos e omissões influenciarão igualmente este desenvolvimento. É sabido que não existe fórmula mágica para ser pai ou mãe, mas coerência e bom senso devem ser a tônica para a educação dos filhos. Os pais devem “falar a mesma linguagem” com seus filhos para que ambos sintam-se integrados à família e assim, construir um ambiente saudável e satisfatório para o crescimento dos pequenos.

* Breno Rosostolato e Aline Maciel Richetto são professores da Faculdade Santa Marcelina – FASM

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