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Bebê a caminho: Dicas para lidar com o conflito do irmão mais velho

Por Breno Rosostolato*

É natural muitas crianças sentirem-se enciumadas com o surgimento de um irmãozinho.

Ele fica só de olho. Só observa e percebe que algo está diferente. A barriga da mamãe está crescendo, ou seja, prenúncio de que algo vai acontecer.

É natural muitas crianças sentirem-se enciumadas com o surgimento de um irmãozinho. Afinal, para a criança, que até então recebia toda a atenção dos pais, a vinda de outra rompe a exclusividade. O ciúme é alicerçado por questões de perdas, pois a criança possui a fantasia de que vai perder os pais para o irmão, portanto, outro sentimento é despertado: a rivalidade. O irmão mais velho sente-se inseguro e amedrontado com a possibilidade de perder terreno para aquele que está vindo. Para se defender, cria situações para manter e reter o amor dos pais.

A criança nesse período é invadida por fantasias, emoções e sensações de ameaça, levando-a a reações agressivas e comportamentos regressivos, como o descontrole do xixi e do cocô, birras, retorno ao uso da chupeta ou da mamadeira e desobediência. Tudo para chamar a atenção dos pais. Essas manifestações são consequência do bebê que está na barriga da mãe e denunciam o sofrimento da angústia vivida pela criança. O sentimento de abandono a domina, pois ela não tem recursos internos para lidar com essas sensações. Diante disso, os pais serão os interlocutores entre o filho e o irmãozinho que se anuncia. Paciência, acolhimento e muita conversa serão fundamentais para diminuir a dor da criança e facilitar sua adaptação e aceitação ao bebê.

É muito importante a mãe conversar sobre o bebê que está na barriga, indicando que ele é o irmão e será o companheiro do filho mais velho. Ao dizer que o bebê é pequeno, demonstre que ele é frágil e que, por isso, ela precisará muito da ajuda do filho mais velho até que este bebê cresça. A mãe deve aproximar os irmãos. Incentive-o a tocar, pegar no colo e fazer carinho no irmãozinho. É aconselhável que a mãe permita a participação do filho mais velho nos cuidados do irmão, ajudando com pequenas tarefas e parabenizando-o pela atitude. Dessa forma, a criança irá sentir-se mais valorizada, além de se desenvolver emocionalmente, internalizando conceitos de colaboração e cuidados.

Demonstre o mesmo amor e carinho ao filho mais velho, dizendo isso diretamente a ele, sem exageros ou excessos. As mães não devem culpar-se por dar mais atenção ao caçula. Afinal, são inúmeras trocas de fralda, amamentação e banhos. Para conciliar os cuidados necessários ao recém-nascido e o filho mais velho, aproveite os intervalos e converse com a criança, enaltecendo que eles serão muito amigos e companheiros. Salientar o convívio harmonioso entre os dois irmãos fará com que o mais velho fique cada vez mais propenso a receber em sua vida o irmão. Em situações conflituosas e momentos mais tensos, procure dar espaço para que a criança se expresse livremente, dando condições para que ela fale sobre seus medos. Acolha sempre a angústia do filho e procure apoiá-lo.

A chegada de um filho muda a rotina da família e com a vinda do segundo, a rotina que foi adaptada numa primeira situação sofrerá uma nova mudança, principalmente no que diz a respeito ao filho mais velho. Mudança de quarto, o início na escolinha, tudo isso irá afetá-lo. Para minimizar estes efeitos aconselha-se aos pais se planejarem com antecedência. Antever estas adaptações ajudará a criança na transição do desenvolvimento pessoal e na relação dela com o irmão caçula.

A chegada do irmãozinho deve ser uma etapa de transformações saudáveis e construtivas para o mais velho. É o convívio que contribuirá para que ele reconheça o outro e se socialize. O crescimento afetivo e cognitivo passa pela aceitação do outro e das diferenças, sem apoiar-se na inveja ou rivalidade.

*Breno Rosostolato é professor de psicologia da Faculdade Santa Marcelina.

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